Macedônia

A República da Macedônia é um país balcânico que até 1991 fazia parte da Iugoslávia socialista.

A Macedônia ingressou nas Nações Unidas em 1993 com o nome antiga República iugoslava da Macedônia (ARIM.

Um país sem litoral, a República da Macedônia faz fronteira com o Kosovo ao noroeste, com a Sérvia ao norte, com a Bulgária ao leste, com a Grécia ao sul e com a Albânia a oeste. Constitui aproximadamente a terceira maior região geográfica da Macedônia, que também inclui as partes vizinhas do norte da Grécia e uma parcela menor na Bulgária. A sua capital é a cidade de Escópia (Skopje), que também é sua maior e mais populosa cidade, e outras cidades importantes da nação incluem Bitola, Kumanovo, Prilep, Tetovo, Ohrid, Veles, Štip, Kočani, Gostivar, Kavadarci e Strumica. Possui mais de 50 lagos, além de dezesseis montanhas com mais de 2 000 metros de altura.

Skopje
Skopje

Skopje
Skopje

1/1

Com História, arquitetura e belezas naturais, Macedônia começa a atrair turistas
 

Logo ao norte da Grécia, espremida entre Bulgária, Albânia e Sérvia, a Macedônia lista uma quantidade de atrativos difícil de serem batidos: um dos berços da humanidade, viu das civilizações da Antiguidade ao regime socialista da Iugoslávia no século XX. As diversas fases lhe renderam uma variedade de marcos arquitetônicos impressionantes. O território. menor do que a metade do Estado do Rio de Janeiro, é pontilhado de montanhas, e repleto de vinhedos. A terra garante uma gastronomia simples, com influências mediterrâneas, turcas e eslavas. E seus dois milhões de habitantes compõem um dos povos europeus mais carismáticos, que lota bares, restaurantes e praças em qualquer dia da semana. Tudo em um custo-benefício financeiro raro de se ver em outro destino do continente.

Ohrid é o principal destino turístico do país, recebendo um bocado de búlgaros e sérvios, além dos próprios macedônios, muitos que têm casa de veraneio ali. Considerado patrimônio cultural, natural e histórico da humanidade pela Unesco desde 1980, Ohrid possui sítios arqueológicos onde se encontraram registros humanos com até cinco mil anos. Próxima da fronteira com a Albânia, ao sul, a cidade fica às margens do Lago Ohrid, um dos mais profundos e antigos do mundo. É cercado de montanhas e apesar de ser mais procurado durante o verão, Ohrid é um destino para o ano todo.

Ohrid
Ohrid

Ohrid
Ohrid

Ohrid
Ohrid

Ohrid
Ohrid

1/3

Já em Skopje, a capital, a surpresa vem da mistura inebriante de referências que inspirou a criação de dezenas de estátuas e monumentos nos últimos anos. Dobra-se a esquina e lá está um arco do triunfo, com ilustrações de marcos históricos do país, talvez um dos poucos no mundo a celebrar um regime socialista. Passam nas ruas ônibus vermelhos de dois andares, idênticos aos de Londres.

Sobre o Rio Vardar, duas pontes exibem, cada uma, 25 estátuas representando artistas do país. Conectam à margem da Skopje nova à margem antiga, onde, porém, estão em construção monumentais prédios públicos. Alguns receberam ministérios, outros museus. O frenesi obreiro fez parte do polêmico projeto “Skopje 2014”, que pretendia dar à capital o aspecto das metrópoles europeias. Para o visitante, é a chance de ver uma república dos Bálcãs de apenas 22 anos tentando crescer e aparecer.

Skopje. A grande disputa por Alexandre “O Grande”

A colossal estátua de 22 metros de altura retrata um guerreiro empinando seu cavalo em plena Praça Macedônia, coração da capital Skopje. Oficialmente, ele é só “o guerreiro a cavalo”, mas fica claro que a estátua representa Alexandre, o Grande, e seu fiel escudeiro Bucéfalo. A origem do imperador da Macedônia Antiga que conquistou parte dos os atuais territórios gregos, turcos, egípcios e indianos é um dos motivos de disputa entre Grécia, porém, não titubeou em inaugurar o monumento na comemoração dos 20 anos de independência, em setembro de 2011, com pompa.

Alexandre tem sob os pés uma coluna adornada com cenas de batalha, estátuas de guerreiros e uma fonte, que frequentemente, lança jatos d’água em coreografias dignas de Las Vegas. Do outro lado da ponte de pedra, Stari Most,  cujo registro mais antigo é de sua primeira reconstrução, em 1421, e o mais recente, sua restauração completa em 2008, está outra gigantesca estátua, identificada pelos guias como Felipe II, pai de Alexandre, rodeado pelo que seriam suas sete esposas, de 2012.

O centro da cidade é dividido entre a região nova e a antiga, mas há novidades monumentais em ambos. No lado novo, a margem do Rio Vardar é repleta de restaurantes que ocupam a calçada com mesas e dão vista para os novos prédios. Destacam-se o do Ministério de Relações Exteriores, que, entre as várias colunas de sustentação e até no telhado, exibe diversas estátuas (sobrou até para Winston Churchill); o prédio com base circular e domo envidraçado da Procuradoria de Justiça; e o Museu de Arqueologia, em obras. Em frente aos dois últimos, estão as pontes Arte e Olho, cada qual com 25 estátuas. A primeira traz imagens de artistas da cultura contemporânea e moderna do país; a segunda, figuras proeminentes do passado distante, usando togas e sandálias gregas (que os macedônios diriam ser macedônias). Aliás, os restaurantes do país oferecem no menu não só as saladas gregas como as macedônias, que apresentam poucos ingredientes diferentes.

Skopje
Skopje

Alexandre
Alexandre

Skopje
Skopje

Skopje
Skopje

1/3

Seguindo a frente, logo se alcança a Praça Macedônia. Boa pedida para o almoço é o restaurante do Hotel Pelister, bem no burburinho, que serve massas bem preparadas e tem um bar de saladas. Uma conta de 800 dinares macedônios (cerca de R$ 40) por pessoa significa um almoço fartíssimo.

Do lado esquerdo, vê-se o arco do triunfo Porta Macedônia. Atravessando-o, chega-se ao prédio do Parlamento, original de 1973, em estilo modernista. Do outro lado da rua, um monumento neoclássico recém-inaugurado no ano passado em homenagem aos “heróis que caíram”, com uma chama eterna, contrasta com as estátuas dos tais heróis, que lutaram pela independência. Uma das estátuas retrata quem lutou contra o Império Otomano na primeira Guerra dos Bálcãs, que teve a Macedônia como principal campo de batalha; e também os heróis comunistas que lutaram contra a ocupação búlgara e ajudaram na criação da federação Macedônia em 1944 com o apoio de Tito, dentro da Iugoslávia.

 

Voltando à Praça Macedônia, pegue a Rua Macedônia até a casa de Madre Teresa de Calcutá de Skopje. Sim, a beata de origem albanesa nasceu aqui, e no museu em sua memória, as referências a ela ganham o aposto “de Skopje”. Madre Teresa deixou o país com 18 anos para se começar sua vida religiosa e voltou pouco. A casa azul tem pombas brancas na parede. Dentro, há cartas, fotos, documentos e objetos da santa. No final da rua, chega-se à antiga estação de trem de Skopje. O prédio, hoje museu, foi danificado no terremoto do dia 26 de julho de 1963, que destruiu 80% da cidade. O relógio da estação marca o momento em que a terra tremeu: 5h17m. Histórias sobre a destruição e a solidária resposta internacional compõem a exposição.

 

Do outro lado da Stari Most, ao lado do o Teatro Nacional, não perca o Museu da Luta pela Independência, onde só se entra com um guia, possui galerias com paredes de acrílico pretas, cristais e tapetes vermelhos, com animais empalhados para demonstrar a vida rural dos primeiros que lutaram pelo povo macedônio, armas antigas e muitos bonecos de cera. A história de mais de 200 anos é sangrenta

Matka
Matka

Bitola
Bitola

Kozjac
Kozjac

Matka
Matka

1/5

País com nome e sobrenome

A Iugoslávia foi dissolvida em 1992, porém, a Macedônia é o único ex-membro que leva no nome a história do antigo bloco socialista cujo fim mergulhou os Bálcãs em guerras sangrentas. Para fins oficiais, o nome do país é Antiga República Iugoslava da Macedônia. Nome e sobrenome foram uma exigência da Grécia para a entrada do país, que conquistou a independência em setembro de 1991, na Organização das Nações Unidas. Os macedônios lutam desde então pelo direito de encurtar o nome oficial. De acordo com os gregos, o nome é de direito da região ao norte da Grécia. Especialistas dizem que os gregos temem que os vizinhos lutem por esse território, que inclui a cidade portuária de Tessalônica, segundo autoridades de Skopje, há cerca de 700 mil macedônios vivendo em território grego. A disputa se estende a ícones históricos, como Alexandre, o Grande.

Os gregos afirmam que a Macedônia atual foi uma invenção de Tito na década de 1940 para angariar apoio a uma invasão à Grécia; defendem que os eslavos só chegaram à região mil anos após Alexandre; que os macedônios, na verdade, são gregos e não eslavos; e que o próprio Antigo Testamento prova que Alexandre é grego. Tanta disputa por um herói que viveu há mais de mil anos parece estranha, mas, em uma comparação com a História brasileira, seria como dizer que Tiradentes era português. Enquanto a disputa continuar, dificilmente a Macedônia vai conseguir entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na União Europeia ou se estabilizar economicamente.



Serviço

Pelister: Na Praça Macedônia, frequentado por locais, com valores por pessoa em média 800 dinares macedônios.



Kaj Zlate: Uma boa casa para se provar o skara, churrasco típico da macedônia. Há outras unidades desse restaurante pela cidade. Um deles está na avenida Krushevska Republika, onde há outras casas típicas como a La Tana. Acompanhe com a cerveja Skopsko.

Memorial Madre Teresa: De segunda a sexta, de 9h às 20h; sábados e domingos, de 9h às 14h. Na Rua Macedônia. Gratuito.

 

Museu da Luta pela Independência: De terça a domingo, de 10h às 18h. Rua Iljo Vojvoda.